{"id":22601,"date":"2026-03-02T11:00:00","date_gmt":"2026-03-02T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/almaempalavras.com.br\/?p=22601"},"modified":"2026-02-26T11:55:08","modified_gmt":"2026-02-26T14:55:08","slug":"a-praca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/almaempalavras.com.br\/?p=22601","title":{"rendered":"A Pra\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>Como uma cidade decide o que merece continuar vivo e o que precisa morrer de novo.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tr\u00eas tiros ecoaram no sil\u00eancio da manh\u00e3. Pop. Pop. Pop.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Ford preto arrancou antes que algu\u00e9m abrisse a janela. Subiu a ladeira em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Igreja Matriz de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, cuspindo pedra e poeira como se o morro fosse c\u00famplice.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Juliana ouviu o primeiro disparo ainda na cozinha. O segundo a encontrou no corredor. O terceiro a lan\u00e7ou pelo port\u00e3o de muros baixos, descal\u00e7a, avental ainda preso \u00e0 cintura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c1lvaro estava na cal\u00e7ada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A maleta de couro tombada ao lado. O corpo inclinado de lado, como se ainda tentasse alcan\u00e7ar a porta do carro. O sangue espalhava-se em sil\u00eancio, formando um desenho escuro entre as pedras irregulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 \u00c1lvaro\u2026<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ele abriu os olhos apenas o suficiente para reconhec\u00ea-la. N\u00e3o houve tempo para pergunta. Nem para acusa\u00e7\u00e3o. Nem para promessa. Um suspiro breve, quase constrangido. E acabou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A cidade acordou ali. Monte Altivo era pequena demais para n\u00e3o transformar a morte em espet\u00e1culo. Delegado. Soldados. Rep\u00f3rter de um jornal da capital. O vig\u00e1rio. A loja ma\u00e7\u00f4nica. Representantes do PTB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dr. \u00c1lvaro Monteiro de Silva e Silva, m\u00e9dico, 38 anos, vereador, presidente da C\u00e2mara, filantropo; n\u00e3o era apenas um corpo na cal\u00e7ada. Era projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No enterro, os sinos dobraram como em Sexta-feira Santa. A missa de corpo presente encheu a nave. O cortejo parecia prociss\u00e3o da padroeira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No dia seguinte, a placa foi instalada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Pra\u00e7a Dr. \u00c1lvaro Monteiro de Silva e Silva.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ainda havia cheiro de tinta fresca quando os primeiros boatos come\u00e7aram a circular. A pergunta repetia-se nas padarias, na cooperativa, na fila do armaz\u00e9m:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Quem poderia querer a morte de um homem t\u00e3o bom?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas havia outra pergunta, mais baixa, sussurrada:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Ele ia sair candidato?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Juliana s\u00f3 descobriu dias depois que o marido anotava conversas em um caderno de capa preta. Entre receitas m\u00e9dicas e compromissos, havia nomes. Datas. Uma reuni\u00e3o na capital. Um encontro na padaria com Fernando Salles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fernando Salles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Criador de gado leiteiro. Presidente da cooperativa. Homem que n\u00e3o levantava a voz, mas fazia outros baixarem a cabe\u00e7a. A conversa anotada no di\u00e1rio era simples demais:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Monte Altivo precisa respirar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 entrando em terreno alheio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nada al\u00e9m disso. Mas bastou. Quando o nome de Fernando Salles surgiu no inqu\u00e9rito, a cidade prendeu o f\u00f4lego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Havia testemunha que o vira conversando com um homem dentro de um Ford preto na manh\u00e3 do crime. Havia a conversa na padaria. Havia rivalidade pol\u00edtica. Era suficiente para alimentar convic\u00e7\u00f5es; n\u00e3o para condenar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A pris\u00e3o preventiva foi requerida. Na mesma noite, Fernando deixou a cidade. Diziam que fora para uma fazenda no interior das Minas Gerais. Diziam que era inocente e se protegia de injusti\u00e7a. Diziam que estava articulando na capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O inqu\u00e9rito nunca chegou a virar processo. Deputados da UDN pressionaram. O Chefe da Pol\u00edcia Civil substituiu o delegado. O caso foi arquivado por falta de provas conclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fernando voltou meses depois. N\u00e3o houve aplauso. N\u00e3o houve vaias. Houve sil\u00eancio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No primeiro anivers\u00e1rio da morte, a pra\u00e7a j\u00e1 estava incorporada \u00e0 rotina. Crian\u00e7as corriam em volta do busto de bronze erguido com doa\u00e7\u00f5es da cooperativa. Pombos pousavam na cabe\u00e7a do m\u00e9dico eternizado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Juliana evitava passar ali. Quando passava, sentia algo estranho: n\u00e3o era dor. Era deslocamento. A cidade lembrava do marido, mas de um marido que n\u00e3o era o dela. Um homem cristalizado. Sem d\u00favidas. Sem ambi\u00e7\u00f5es. Sem conflito. Um santo laico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Fernando Salles nunca se candidatou a prefeito. O grupo pol\u00edtico decidiu que seu nome estava pesado demais. Era curioso como a cidade sabia equilibrar culpa e conveni\u00eancia. Ningu\u00e9m dizia que ele era assassino. Ningu\u00e9m dizia que n\u00e3o era. O assunto tornara-se inconveniente. E inconveni\u00eancia \u00e9 algo que cidades pequenas aprendem a enterrar cedo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dez anos depois, Fernando morreu de enfarte. O vel\u00f3rio foi discreto. Respeitoso. Sem sinos dobrando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Pouco tempo depois, sua esposa lan\u00e7ou-se candidata a vereadora. Foi eleita. A primeira mulher da C\u00e2mara. Passou vinte anos no cargo. Sempre que seu nome era mencionado, algu\u00e9m lembrava:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Mulher forte. Sustentou a fam\u00edlia quando o marido foi injusti\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Injusti\u00e7ado. A palavra come\u00e7ara a circular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Dr. Fernando Salles Filho tornou-se m\u00e9dico cirurgi\u00e3o. Estudou fora. Voltou com prest\u00edgio. Boa fala. Presen\u00e7a. Candidatou-se a prefeito. Venceu com maioria confort\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Durante a campanha, ningu\u00e9m mencionou 1956. Nem o Ford preto. Nem os tiros. Nem o di\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Juliana, j\u00e1 envelhecida, assistiu \u00e0 posse pela janela da sala. O busto do marido permanecia na pra\u00e7a. Testemunha do posse. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A faixa de prefeito cruzava o peito do filho do homem que fora investigado e absolvido pela aus\u00eancia de processo. A cidade aplaudia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E ela percebeu algo que jamais ousara formular: N\u00e3o era que Monte Altivo tivesse esquecido. Monte Altivo tinha escolhido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Anos depois, um jovem professor da escola estadual decidiu pesquisar a hist\u00f3ria pol\u00edtica do munic\u00edpio. Encontrou recortes de jornal. O inqu\u00e9rito arquivado. O di\u00e1rio de capa preta guardado entre pap\u00e9is antigos na casa de Juliana. Entusiasmou-se. Prop\u00f4s uma palestra na semana do anivers\u00e1rio da cidade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c1956: O Caso N\u00e3o Resolvido.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Recebeu telefonema da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. A diretora chamou-o para conversa reservada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Isso pode gerar desconforto desnecess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Mas \u00e9 parte da nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Hist\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 escolha pedag\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A palestra foi cancelada. O professor pediu transfer\u00eancia no ano seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No cinquenten\u00e1rio da morte de Dr. \u00c1lvaro, a prefeitura organizou cerim\u00f4nia solene na pra\u00e7a. O prefeito, Dr. Fernando Salles Filho, discursou sob o busto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Falou sobre democracia. Sobre respeito \u00e0s institui\u00e7\u00f5es. Sobre a import\u00e2ncia de honrar a mem\u00f3ria dos que lutaram pelo progresso de Monte Altivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A multid\u00e3o aplaudiu. Juliana n\u00e3o estava mais viva para assistir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O busto foi lavado. A placa polida. Uma nova camada de tinta aplicada no pedestal. O nome brilhou sob o sol da manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nenhuma men\u00e7\u00e3o ao inqu\u00e9rito. Nenhuma pergunta sobre o Ford preto. Nenhum eco dos tr\u00eas tiros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A cidade crescera. Novas fam\u00edlias. Novos pr\u00e9dios. Nova cooperativa ampliada. Hospital reformado com verba federal. Monte Altivo tornara-se pr\u00f3spera. E pr\u00f3spero \u00e9 quem aprende a conviver com o que n\u00e3o se resolve.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Se algu\u00e9m perguntasse, a resposta seria simples:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Foi um crime pol\u00edtico. Coisas daquele tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ou:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Nunca se provou nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ou ainda:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u2014 Melhor n\u00e3o mexer nisso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As crian\u00e7as continuavam correndo em volta do busto. Os sinos da Matriz tocavam nos domingos. A pra\u00e7a era apenas pra\u00e7a. E talvez esse fosse o maior triunfo da cidade: Transformar um assassinato em paisagem. N\u00e3o negar. N\u00e3o resolver. N\u00e3o absolver. Apenas absorver.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Monte Altivo n\u00e3o era feita de mentiras. Era feita de acordos silenciosos. E, no sil\u00eancio, a mem\u00f3ria envelhece at\u00e9 virar pedra. Como o busto. Como a placa. Como o nome.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como uma cidade decide o que merece continuar vivo e o que precisa morrer de novo. Tr\u00eas tiros ecoaram no sil\u00eancio da manh\u00e3. Pop. Pop. Pop. 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