{"id":23123,"date":"2026-05-13T11:00:00","date_gmt":"2026-05-13T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/almaempalavras.com.br\/?p=23123"},"modified":"2026-05-08T08:43:59","modified_gmt":"2026-05-08T11:43:59","slug":"carta-do-bolso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/almaempalavras.com.br\/?p=23123","title":{"rendered":"A Carta do Bolso"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">A plataforma da esta\u00e7\u00e3o de Barra Mansa cheirava a carv\u00e3o e a despedida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Era s\u00e1bado, quinze de janeiro de 1944, e o trem para o Rio de Janeiro esperava com a impaci\u00eancia das m\u00e1quinas: vapor vivo, rodas paradas, como um cavalo que morde o freio. Na plataforma, a aglomera\u00e7\u00e3o habitual de m\u00e3es e noivas e manos mais novos que vieram ver partir os convocados da FEB. Vozes. Choro. Algu\u00e9m rezando em voz alta que logo foi engolido pelo barulho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio estava parado diante de Ana Maria como se estivesse aprendendo o rosto dela de cor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tinha dezenove anos e era bonito da maneira que os homens bonitos n\u00e3o sabem que s\u00e3o. Alto, magro, pele de mulato claro, os olhos de um castanho que chegava ao dourado quando o sol batia direito. Ajudante de pedreiro. M\u00e3os grandes, calo na palma, unhas sempre com um fio de argamassa no canto. Filho \u00fanico de m\u00e3e vi\u00fava que havia enterrado dois anos antes, quando a febre levou ela numa semana.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ele era sozinho no mundo. Mas tinha Ana Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ela tinha dezessete anos e olhos grandes demais para o rosto pequeno, olhos que pareciam guardar tudo que viam. Pele negra, cabelo preso com um la\u00e7o branco que ela havia colocado de manh\u00e3 sem saber bem por que \u2014 talvez porque era a cor das cartas, talvez porque era a cor das bandeiras de paz que ela havia visto nas figuras dos livros da escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Os olhos de Ana Maria estavam marejados. Ela n\u00e3o chorava. Segurava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Voc\u00ea vai voltar \u2014 ela disse. N\u00e3o era pergunta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Vou voltar pra voc\u00ea \u2014 disse Oleg\u00e1rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Jura.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Juro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ele disse isso com a seriedade de quem n\u00e3o faz promessas \u00e0 toa e sabia que estava fazendo uma que talvez n\u00e3o pudesse cumprir. Era patriotismo do tipo que n\u00e3o veio com festa. Veio com o papel de convoca\u00e7\u00e3o, veio com o sil\u00eancio de uma manh\u00e3 de domingo quando ele leu o nome dele na lista afixada na porta da prefeitura. N\u00e3o havia entusiasmo. Havia apenas a aceita\u00e7\u00e3o de quem aprendeu cedo que o mundo pede coisas e a gente d\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Vou te escrever todo dia \u2014 disse Ana Maria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Eu sei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Todo dia, Oleg\u00e1rio. Sem falta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Eu sei \u2014 ele repetiu, e havia ternura nisso, a ternura de quem conhece o outro de verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O apito do trem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Eles se beijaram. Um beijo que durou o tempo que os beijos de despedida duram. Um pouco mais do que o necess\u00e1rio, um pouco menos do que o desejado. Quando ele se afastou, Ana Maria segurou a m\u00e3o dele por um segundo, dois, e depois soltou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio subiu. A janela. O rosto dele apareceu no vidro emba\u00e7ado. Ela ficou na plataforma at\u00e9 a m\u00e1quina virar fuma\u00e7a l\u00e1 longe na curva dos morros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A Vila Militar no Rio de Janeiro era um outro mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mundo de bota e ordem do dia, de tiro e formatura, de sol cedo e sol tarde e cansa\u00e7o que apagava o pensamento. Oleg\u00e1rio aprendeu a marchar, a montar e desmontar o fuzil, a obedecer antes de entender. Era bom soldado n\u00e3o por gosto, mas por disciplina interior. A mesma que o fazia chegar antes dos outros nas obras, a mesmo que o fazia carregar mais tijolo do que o dobro seu peso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Compunha o 1\u00ba Regimento de Infantaria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na tenda, seu colega de beliches era Jos\u00e9 Am\u00e2ncio, um caboclo mi\u00fado de Vassouras que ria muito e dormia pouco e sabia ler e escrever com letra caprichada de quem havia frequentado escola de padre. Jos\u00e9 Am\u00e2ncio havia sido escrevente numa farm\u00e1cia antes da convoca\u00e7\u00e3o. Tinha um caderninho de endere\u00e7os que guardava no bolso do peito como quem guarda coisa sagrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Todo dia chegava a carta de Ana Maria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio mal assinava o pr\u00f3prio nome. Aprendera as letras tarde, com Ana Maria, e o que sabia ler era pouco e lento, como quem caminha num terreno que conhece mas n\u00e3o domina. Ent\u00e3o havia o arranjo: todo dia Jos\u00e9 Am\u00e2ncio lia a carta de Ana Maria para ele. Em voz baixa, sentado na beira do beliche, enquanto Oleg\u00e1rio ficava parado de olhos fechados ouvindo as palavras dela como quem ouve m\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As cartas eram longas. Ana Maria escrevia com a cabe\u00e7a e com o cora\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo, uma mistura de not\u00edcia mi\u00fada e sentimento grande. Escrevia sobre a rua, sobre a chuva de mar\u00e7o, sobre o cachorro da vizinha que havia tido filhotes, sobre o pai que havia arrumado trabalho na companhia, sobre a missa de domingo onde todo mundo perguntava por ele. Escrevia: tenho saudade do seu cheiro. Escrevia: \u00e0s vezes acordo achando que voc\u00ea ainda t\u00e1 aqui, na casa ao lado e a\u00ed lembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio ouvia tudo de olhos fechados. Quando Jos\u00e9 Am\u00e2ncio terminava, ficava quieto por um momento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Escreve pra ela \u2014 dizia ele ent\u00e3o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">E Jos\u00e9 Am\u00e2ncio pegava o papel e a caneta e Oleg\u00e1rio ditava. Ditava da maneira que sabia: sem floreio, sem met\u00e1fora, mas com uma precis\u00e3o de sentimento que Jos\u00e9 Am\u00e2ncio reconhecia como rara. Oleg\u00e1rio dizia: fala pra ela que aqui o calor \u00e9 diferente do calor de Barra Mansa. Fala que o rancho \u00e9 ruim mas a camaradagem \u00e9 boa. Fala que penso nela quando acordo e quando deito e no meio do dia quando o sargento n\u00e3o t\u00e1 gritando. Fala que vou voltar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Jos\u00e9 Am\u00e2ncio escrevia e acrescentava, discretamente, uma ou outra palavra mais bonita. Quando Oleg\u00e1rio dizia saudade, Jos\u00e9 Am\u00e2ncio \u00e0s vezes escrevia uma saudade que pesa no peito como pedra boa. Oleg\u00e1rio nunca reclamou. Talvez soubesse. Talvez n\u00e3o se importasse. O sentimento era verdadeiro, a letra era do outro, mas a voz era dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">As cartas de Ana Maria, Oleg\u00e1rio guardava numa lata de biscoito amanteigado que havia ganhado de um sargento americano. Toda noite a lata ficava debaixo do travesseiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas uma carta. A de quinze de mar\u00e7o, a primeira que ela havia mandado depois do embarque ser confirmado nos jornais, a carta em que ela escrevia eu sei que voc\u00ea vai voltar porque Deus n\u00e3o \u00e9 capaz de tanta crueldade. Essa carta Oleg\u00e1rio dobrou em quatro e colocou no bolso esquerdo da farda. Junto ao peito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A \u00faltima carta de Oleg\u00e1rio chegou em Barra Mansa no dia vinte e cinco de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Era uma segunda-feira. Ana Maria esperava \u00e0s dez horas na porta de casa, como sempre, com o mesmo vestido de chita florido que havia passado com capricho porque havia aprendido que o carteiro notava as coisas e ela n\u00e3o queria que ningu\u00e9m dissesse que ela havia desleixado por causa da guerra. O carteiro entregou o envelope, tocou o chap\u00e9u, seguiu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ana Maria leu na cal\u00e7ada, de p\u00e9, ao sol de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na carta, Oleg\u00e1rio dizia (Jos\u00e9 Am\u00e2ncio escrevia) que o tempo estava bom, que o rancho havia melhorado, que havia aprendido algumas palavras em ingl\u00eas com os americanos, que guardava a foto dela no espelho do cantil. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No dia seguinte, nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No dia seguinte, nada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ana Maria continuava \u00e0s dez horas na cal\u00e7ada. O carteiro passava, ela seguia com os olhos, ele seguia sem parar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Uma semana depois, uma nota pequena na segunda p\u00e1gina do jornal (tr\u00eas par\u00e1grafos sem nome, sem detalhe, com a conten\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica das not\u00edcias militares em tempo de guerra) confirmava que os recrutas haviam embarcado para a It\u00e1lia e estavam em \u00e1guas seguras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O cora\u00e7\u00e3o de Ana Maria apertou de um jeito que ela nunca havia sentido. N\u00e3o era dor. Era a diferen\u00e7a entre esperar algu\u00e9m que pode chegar e esperar algu\u00e9m que pode n\u00e3o chegar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Continuou escrevendo todo dia. Endere\u00e7ava para a Cruz Vermelha, como havia sido orientada. N\u00e3o sabia se chegavam. Escrevia assim mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na It\u00e1lia, o inverno ca\u00eda sobre o vale do Rio Sercchio como uma senten\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio aprendera que a guerra n\u00e3o era como os filmes do Cine \u00c9den em Barra Mansa. N\u00e3o havia m\u00fasica de fundo, n\u00e3o havia o her\u00f3i saindo ileso do meio da fuma\u00e7a. A guerra era frio e lama e o som do obuseiro que voc\u00ea ouvia antes de sentir, e o sil\u00eancio depois que era pior do que o barulho. Era dormir com bota porque nunca se sabia. Era comer quando havia e n\u00e3o pensar em comida quando n\u00e3o havia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Os americanos gostavam dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Gostavam da velocidade com que ele se movia no terreno, da maneira que ele rastejava na lama sem barulho, como se o corpo soubesse instintivamente o que a mente ainda estava calculando. Um sargento do Texas havia lhe dado o apelido de Shadow (sombra). Os alem\u00e3es do outro lado, quando corria o rumor da infantaria brasileira, tinham um outro entendimento. Havia algo nos brasileiros que n\u00e3o seguia a l\u00f3gica da guerra europeia. Uma disposi\u00e7\u00e3o que parecia vir de um lugar que os manuais militares n\u00e3o cobriam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Jos\u00e9 Am\u00e2ncio estava sempre ao lado dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u00c0 noite, quando havia sossego suficiente, Jos\u00e9 Am\u00e2ncio lia para ele as cartas que haviam chegado pelo correio de campanha. Muitas vezes atrasadas semanas, meses, chegando em lotes, fora de ordem. Oleg\u00e1rio ouvia e reconstitu\u00eda Ana Maria em sequ\u00eancia pr\u00f3pria, montando uma cronologia afetiva que \u00e0s vezes divergia do calend\u00e1rio real. N\u00e3o importava. Cada carta era ela. Cada carta era Barra Mansa e a esta\u00e7\u00e3o e o la\u00e7o branco no cabelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A lata de biscoito havia sobrevivido \u00e0 travessia do Atl\u00e2ntico. \u00c0 noite dormia debaixo do cotovelo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A carta do bolso estava gasta nas dobras. Oleg\u00e1rio a abria \u00e0s vezes. N\u00e3o lia, porque n\u00e3o podia, porque as letras eram pequenas e a luz era ruim e porque, talvez, n\u00e3o precisasse ler. Sabia o que estava escrito. Jos\u00e9 Am\u00e2ncio havia lido tantas vezes que as palavras de Ana Maria eram agora um territ\u00f3rio familiar, como o caminho entre a esta\u00e7\u00e3o e a casa dela, que ele fazia de olhos fechados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Eu sei que voc\u00ea vai voltar porque Deus n\u00e3o \u00e9 capaz de tanta crueldade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio morreu numa tarde de fevereiro de 1945, numa encosta com nome que nenhum dos dois jamais havia ouvido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">N\u00e3o foi no auge do combate. Foi na descida, quando o pior havia passado e o perigo parecia ter recuado. \u00c9 sempre assim, os veteranos sabem, \u00e9 no depois que a guerra cobra. Um tiro vindo de uma posi\u00e7\u00e3o que havia sido dada como tomada e n\u00e3o estava. Um erro de informa\u00e7\u00e3o. Oleg\u00e1rio caiu para o lado, devagar, como quem se senta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Jos\u00e9 Am\u00e2ncio estava a tr\u00eas metros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Chegou antes que o corpo tocasse o ch\u00e3o. Oleg\u00e1rio estava vivo ainda. Por quanto tempo, Jos\u00e9 Am\u00e2ncio sabia e n\u00e3o disse. Ficou segurando a m\u00e3o dele. N\u00e3o havia nada a fazer que os dois n\u00e3o soubessem. Na encosta, o barulho do combate se afastava como mar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Oleg\u00e1rio disse alguma coisa. Jos\u00e9 Am\u00e2ncio se inclinou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"><em>\u2014 Fala que vou voltar \u2014 disse Oleg\u00e1rio. E depois disse o nome dela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ficou quieto. A m\u00e3o afrouxou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Jos\u00e9 Am\u00e2ncio ficou ali por um tempo que n\u00e3o soube medir. Depois, devagar, abriu o bolso esquerdo da farda de Oleg\u00e1rio e retirou a carta. O papel estava gasto, quase transparente nas dobras, com a fragilidade de coisa muito manuseada. Colocou de volta. Fechou o bot\u00e3o. N\u00e3o havia nada que precisasse fazer com ela. Era dele. Estava no lugar certo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na encosta, com o barulho da guerra se afastando, Jos\u00e9 Am\u00e2ncio ficou segurando a m\u00e3o do amigo um pouco mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em Barra Mansa, naquela mesma tarde, Ana Maria estava na cal\u00e7ada \u00e0s dez horas. Esperando.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A plataforma da esta\u00e7\u00e3o de Barra Mansa cheirava a carv\u00e3o e a despedida. 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