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Capítulo 30 – Caçadores e Caçados

Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1942 – 05h40

O telefone tocou cinco vezes antes que o coronel Coriolano de Almeida Prado Lima atendesse. Não estava dormindo. Raramente dormia. Homens na sua posição não tinham luxo de sono tranquilo.

— Coronel Lima — disse ele, voz firme apesar da hora.

Do outro lado da linha, voz nervosa do capitão Augusto Moreira, comandante da guarnição militar da CSN:

— Senhor, tentativa de sabotagem frustrada. Volta Redonda. CSN. Três cargas explosivas. Desarmadas às três e quarenta e sete da manhã.

Coriolano sentou-se na cama. Acendeu o abajur. Sua esposa ao lado nem se moveu. Acostumada.

— Detalhes.

— Denúncia anônima às duas da manhã. Carta com localização exata das bombas. Mecanismo. Horário de detonação. Nomes dos sabotadores. Endereço do coordenador.

— Nomes?

— Wilhelm Becker e Franz Kohler. Alemães. Hospedados no Hotel São Pedro, Barra Mansa. Já foram presos. Estão sendo transferidos para o Rio agora.

Coriolano pegou caneta e papel da mesinha de cabeceira. Anotou:

— Coordenador?

— Friedrich Adler. Endereço em Laranjeiras. Rua Ipiranga, 347.

Conhecia aquele nome. Dossiê de oitocentas páginas. Mestre de espionagem. Fantasma. Deportado em janeiro, retornara ilegalmente. Coordenava o que restava da rede alemã no Brasil.

— Quem desarmou as bombas?

— Henrique Weissmann de Almeida. Engenheiro metalúrgico. Catarinense. Trabalha na CSN desde abril de 1941.

— Descendente de alemães?

— Sim, senhor.

Coriolano sublinhou o nome três vezes.

— Mantenha Weissmann sob vigilância discreta. Não prendam. Não alertem. Apenas observem. Quero saber tudo. Onde vai. Com quem fala. O que faz.

— Entendido, senhor.

— E Becker e Kohler. Quando chegarem ao Rio, levem direto o DOPS. Sala de interrogatório especial. Ninguém fala com eles antes de mim. Ninguém.

— Sim, senhor.

Coriolano desligou. Levantou-se. Vestiu-se rapidamente. Calça escura. Camisa branca. Suspensórios. Coldre com revólver Colt .38. Paletó.

Sua esposa acordou:

— Coriolano?

— Trabalho — disse ele, beijando-a na testa. — Volto quando puder.

Ela não perguntou mais. Nunca perguntava.

Coriolano desceu. O motorista já aguardava. Sempre aguardava. Plantão permanente.

— DOPS — ordenou.

O carro partiu. Ruas vazias do Rio antes das seis da manhã. Apenas bêbados. Prostitutas. A escória urbana que nunca dormia.

Durante o trajeto, Coriolano processou. Sabotagem na CSN. Usina estratégica. Projeto prioritário de Vargas. Ataque alemão óbvio. Mas frustrado. Por denúncia anônima. E desarmado por descendente de alemães.

Conveniente demais. Suspeito demais.

Chegou ao DOPS às 06h10. Edifício sombrio na Rua da Relação. Três andares. Janelas com grades. Porta vigiada por dois guardas armados.

Subiu direto para seu gabinete. Terceiro andar. Sala espartana. Mesa de metal. Arquivo. Telefone. Mapa do Brasil na parede com alfinetes vermelhos marcando células subversivas.

Ligou para Venâncio Ayres e Sebastião Prado. Seus melhores homens. Trouxera-os para o Rio semanas antes, quando assumira a chefia.

Filinto Müller fora afastado. Germanófilo declarado, tornara-se embaraço político quando Brasil se aproximou dos Aliados. Vargas precisava de alguém limpo. Alguém competente. Alguém brutal.

Coriolano preenchia todos requisitos.

Venâncio atendeu no terceiro toque:

— Ayres.

— Venâncio, é Coriolano. Preciso de você aqui. Agora. Traga Sebastião.

— O que aconteceu?

— Sabotagem na CSN. Frustrada. Mas complexa. Preciso dos melhores.

— Estaremos aí em uma hora.

Coriolano desligou. Abriu arquivo. Puxou dossiê: ADLER, FRIEDRICH. ABWEHR. COORDENADOR REDE ESPIONAGEM ALEMÃ – BRASIL.

Oitocentas páginas. Fotografias. Relatórios. Conexões. Uma teia complexa que Adler tecera durante anos.

Engels. Von Heyer. Túlio Regis. Oswaldo Richter. Dezenas de nomes. Todos presos. Todos interrogados. Todos falaram. Eventualmente, sempre falavam. Menos Richter. Supostamente falecido.

Mas Adler escapara. Sempre escapava.

Até agora.

Rio de Janeiro, Laranjeiras, 18 de outubro de 1942 – 08h00

A Polícia cercou a casa na Rua Ipiranga, 347. Vinte homens. DOPS. Exército. O telegrama de Barra Mansa fora explícito: Friedrich Adler, coordenador da rede de espionagem alemã, escondido ali.

Invadiram. Porta arrombada. Armas em riste.

Casa vazia.

Móveis cobertos com lençóis. Cheiro de mofo. Nenhum sinal de ocupação recente.

O Delegado responsável, Sebastião Prado – o mesmo que investigara Hans meses antes – caminhou pelos cômodos. Procurou. Nada.

No porão, encontrou. Cinzeiro cheio. Bitucas recentes. Papéis queimados na lixeira. Tentou reconstituir. Impossível. Completamente destruídos.

Mas no canto, debaixo de tábua solta: livro. Handbuch der Eisenhüttenkunde (Manual de Siderurgia). Edição 1936. Alemão.

Sebastião folheou. Anotações em margens. Em alemão. Código. Impossível decifrar imediatamente.

Sebastião guardou o livro. Evidência. Depois ordenou:

– Vasculhem tudo. Adler esteve aqui. Recentemente. Mas escapou. Talvez horas de vantagem. Talvez menos. Encontrem-no.

Mas Friedrich Adler já estava longe.

Fugira. Novamente.

Rio de Janeiro, sede do DOPS, 18 de outubro de 1942 – 15h30

O caminhão militar chegou quando o sol começava a descer. Traseira fechada. Dois guardas armados. Becker e Kohler algemados dentro.

Venâncio Ayres e Sebastião Prado aguardavam no pátio interno. Junto com quatro guardas do DOPS. Homens grandes. Sem uniforme. Apenas roupas civis escuras. Instrumentos de trabalho.

A traseira abriu. Becker desceu primeiro. Rosto inchado. Olho esquerdo roxo. Alguém batera durante transporte. Sempre batiam durante transporte.

Kohler seguiu. Mais jovem. Mais assustado. Chorava silenciosamente.

— Levem para salas separadas — ordenou Venâncio. — Ninguém fala com ninguém. Isolamento completo.

Os guardas empurraram prisioneiros. Becker para sala 3. Kohler para sala 5. Porões. Sem janelas. Apenas uma mesa. Duas cadeiras. E equipamentos pendurados na parede.

Coriolano desceu às 18h00. Venâncio e Sebastião o aguardavam no corredor.

— Começamos com qual? — perguntou Venâncio.

— O mais fraco — disse Coriolano. — Kohler. Engenheiro. Não é militar. Não tem treinamento para resistir.

Entraram na sala 5. Kohler estava sentado. Algemado à cadeira. Tremendo. Não de frio. De medo.

Coriolano puxou cadeira. Sentou-se. Acendeu cigarro. Fumou. Estudou prisioneiro longamente.

— Franz Kohler — disse ele, finalmente. Alemão perfeito. Sotaque de Berlim. — Trinta anos. Engenheiro químico. Especialista em temporizadores. Natural de Dresden. Abwehr desde 1938.

Kohler não respondeu. Olhos fixos no chão.

— Sabe onde está? — continuou Coriolano. — DOPS. Departamento de Ordem Política e Social. Sabe o que fazemos aqui?

Silêncio.

— Fazemos as pessoas falarem. — Coriolano apagou o cigarro. — Sempre. Eventualmente. Não importa quão forte pensa ser. Todos falam. A questão é: quanto sofrimento quer experimentar antes?

Kohler levantou olhos. Lágrimas descendo.

— Não sei de nada.

— Mentira — disse Coriolano, calmamente. — Plantou três bombas na CSN. Conhece Wilhelm Becker. Conhece o coordenador. Conhece a rede. Sabe de tudo.

— Não…

Venâncio deu um tapa. Forte. Kohler gritou. A cadeira quase tombou.

— Não minta para o coronel — disse Venâncio.

Coriolano levantou mão. Venâncio recuou.

— Vamos começar simples — disse Coriolano. — Quem é o coordenador? Quem deu as ordens?

— Não posso…

— Pode e vai — interrompeu Coriolano. — Porque alternativa é muito pior que imagina.

Acenou para Sebastião. Que pegou martelo pequeno da parede. Aproximou-se.

Kohler viu. Olhos arregalados.

— Não… por favor… eu…

— Nome do coordenador — repetiu Coriolano.

Kohler fechou olhos. Respirou fundo. Depois:

— Não sei. Nunca conheci. Apenas recebia ordens por intermediários.

Mentira óbvia. Coriolano acenou.

Sebastião bateu com o martelo. Na mão esquerda de Kohler. Dedo mindinho. Não forte o suficiente para quebrar. Apenas para doer. Muito.

Kohler gritou. Longo. Agudo. Desesperado.

— Próxima será mais forte — disse Coriolano. — E depois mais forte. Até os dez dedos quebrarem. Depois começamos nos dentes. Depois costelas. Depois…

— Friedrich! — gritou Kohler. — Friedrich Adler! É ele! Ele coordena tudo!

Coriolano sorriu.

— Onde está Adler?

— Não sei! Juro! Tinha casa em Laranjeiras, mas fugiu! Não sei para onde!

— Quem mais trabalha com ele?

— Não sei nomes! Apenas codinomes! São muitos! Dezenas!

— Mentira.

Outro martelo. Mesmo dedo. Mais forte. Crack. Osso quebrando.

Kohler urrou. Vômito subindo. Engoliu. Lágrimas. Muco. Saliva.

— Por favor… por favor… eu digo tudo… tudo que sei… por favor…

E falou. Durante três horas. Nomes. Lugares. Operações. Dead drops. Códigos. Safe houses. Rotas de fuga. Contatos em Buenos Aires. Tudo que sabia.

Mas nunca mencionou o nome que Coriolano realmente queria.

O guia. O homem de dentro da CSN. Quem ajudara Becker e Kohler a plantar as bombas.

Às 21h00, Kohler estava destruído. Três dedos quebrados. Dois dentes arrancados. Rosto inchado. Mas vivo. Por enquanto.

— Levem para cela — ordenou Coriolano. — Médico. Água. Comida. Preciso dele vivo.

Guardas arrastaram Kohler.

Coriolano virou-se para Venâncio e Sebastião:

— Becker agora.

Rio de Janeiro, sede do DOPS, 18 de outubro de 1942 – 21h15

Sala 3 era idêntica à sala 5. Mesa. Cadeiras. Equipamentos. Mas o prisioneiro era diferente.

Wilhelm Becker estava sentado. Ereto. Digno. Mesmo algemado. Veterano da Grande Guerra. Abwehr desde 1935. Treinado para resistir.

Coriolano entrou. Sentou-se. Não acendeu cigarro desta vez. Apenas olhou.

— Wilhelm Becker — disse ele. — Quarenta e nove anos. Especialista em explosivos. Condecorado em Verdun. Fiel ao Reich até o fim.

Becker não respondeu. Olhos fixos em Coriolano. Sem medo. Apenas ódio controlado.

— Seu parceiro falou — mentiu Coriolano. — Kohler nos deu tudo. Nomes. Lugares. Operações. Inclusive sobre você.

Becker não reagiu. Sabia que era mentira. Kohler não sabia nada importante. Apenas o básico.

— Mas faltou um nome — continuou Coriolano. — O guia. Quem ajudou vocês a entrar na CSN. Quem mostrou onde plantar as bombas. Quem conhecia a estrutura.

Silêncio.

— Foi Weissmann? — perguntou Coriolano, direto.

Pela primeira vez, Becker reagiu. Sobrancelha erguida. Surpresa mínima. Mas suficiente.

— Não sei de quem fala — disse Becker. Alemão perfeito. Voz firme.

— Henrique Weissmann de Almeida. Engenheiro da CSN. Ele os ajudou?

— Não conheço esse nome.

Venâncio aproximou-se. Socou. Forte. Estômago. Becker dobrou-se. Mas não gritou. Apenas tossiu.

— Mentira — disse Venâncio. — Ele desarmou as bombas. Sabia exatamente onde estavam. Como estavam conectadas. Apenas quem plantou saberia.

Becker cuspiu sangue.

— Ou quem recebeu instruções detalhadas — disse ele, sorrindo. — Talvez na denúncia anônima.

Coriolano inclinou-se.

— Quem os guiou?

— Ninguém.

— Impossível. Conhecem o canteiro? Os horários de patrulha? A estrutura interna do alto-forno?

— Estudamos plantas — disse Becker. — Semanas. Fornecidas por Adler.

— Plantas não mostram guardas. Não mostram patrulhas. Precisavam de alguém de dentro.

— Então — disse Becker, calmamente — seu raciocínio está errado. Porque ninguém nos guiou.

Sebastião pegou alicate. Grande. Enferrujado. Aproximou-se.

— Última chance — disse Coriolano.

— Não tenho nada a dizer.

O que se seguiu foi metódico. Profissional. Brutal.

Unha arrancada. Depois outra. Depois outra. Becker gritou. Eventualmente, todos gritam. Mas não falou.

Dente arrancado. Depois outro. Sangue escorrendo. Becker cuspiu. Mas não falou.

Costela quebrada. Chute forte. Crack audível. Becker desmoronou. Respiração difícil. Mas não falou.

Às 02h30 da manhã de 16 de outubro, Coriolano parou.

— Chega — disse ele. — Médico. Precisamos mantê-lo vivo. Continuamos amanhã.

Venâncio limpou mãos ensanguentadas em pano sujo:

— Ele não vai falar, coronel. É treinado. Resistirá semanas.

— Então quebraremos durante semanas — disse Coriolano. — Mas eventualmente falará.

Saíram da sala. Guardas entraram. Arrastaram Becker para cela.

Corredor frio. Cheiro de sangue e desinfetante. Venâncio acendeu cigarro:

— E se não falar? E se morrer antes?

— Então — disse Coriolano — temos apenas Weissmann. E começamos investigação profunda. Vida pessoal. Relacionamentos. Passado. Tudo. Até encontrarmos conexão com Adler.

Sebastião, que limpava alicate com álcool, parou:

— E se não houver conexão? Se Weissmann for inocente?

Coriolano virou-se. Olhos frios. Sem emoção.

— Ninguém é inocente. Apenas culpados que ainda não confessaram.

Rio de Janeiro, sede do DOPS, 19 de outubro de 1942 – 14h00

Becker morreu ao meio-dia.

Hemorragia interna. Costelas quebradas perfuraram pulmão. Médico tentou estabilizar. Falhou.

Quando Coriolano recebeu notícia, não demonstrou emoção. Apenas acenou.

— E Kohler?

— Vivo — respondeu Venâncio. — Mas destruído. Três dedos quebrados. Dois dentes arrancados. Várias contusões. Mas vivo.

— Continuem com ele. Devagar. Não quero outro morto. Quero informação.

Às 15h00, recomeçaram. Sala 5. Kohler estava deitado em um catre improvisado. Mão esquerda enfaixada. Rosto inchado. Gemendo.

Sebastião puxou cadeira. Sentou-se ao lado.

— Becker morreu — disse ele. Voz neutra. — Hemorragia. Você será próximo se não colaborar.

Kohler chorou. Sem som. Apenas lágrimas.

— Preciso de um nome — continuou Sebastião. — O guia. Quem ajudou vocês na CSN. Dê-me um nome e isto acaba.

Kohler olhou para teto. Respirou fundo. Depois:

— Hans.

Sebastião inclinou-se:

— Hans quem?

— Hans Krueger.

Sebastião pegou caderneta. Anotou.

— Quem é Hans Krueger?

— Não sei — disse Kohler. — Nunca o conheci. Adler mencionou nome uma vez. Disse que tinha agente infiltrado na CSN. Codinome ou nome real, não sei. Mas chamava-o de Hans Krueger.

— Descrição?

— Nunca o vi. Apenas ouvi nome. Uma vez. Adler era cuidadoso. Compartimentalizava informação. Eu e Becker sabíamos apenas o necessário.

— Hans Krueger trabalhava na CSN?

— Acho que sim. Adler disse que tinha alguém de dentro. Alguém que conhecia a estrutura. Alguém que fornecia plantas. Informações. Horários. Tudo.

— E foi esse Hans Krueger quem os guiou?

— Não sei — repetiu Kohler. — Nunca o conheci. Atravessamos o rio sozinhos. Plantamos as bombas usando plantas fornecidas por Adler. Não vimos ninguém.

Sebastião escreveu rapidamente. Depois levantou-se:

— Descanse. Voltaremos se precisarmos.

Saiu. Encontrou Venâncio e Coriolano no corredor.

— Hans Krueger — disse ele, mostrando anotações. — Nome mencionado por Adler. Possível agente infiltrado na CSN.

Coriolano pegou as anotações. Leu. Depois:

— Arquivo. Procurem ficha. Hans Krueger. Qualquer variação. Kurt Krueger. Johann Krueger. Tudo.

Venâncio desceu para arquivo. Porão. Três andares abaixo. Sala enorme. Arquivos metálicos do chão ao teto. Fichas de todos investigados, presos, vigiados desde 1924.

Milhares de nomes. Organizados alfabeticamente.

Foi até seção K. Abriu gaveta. Krueger.

Cinco fichas. Diferentes sobrenomes começando com Krueger.

Klaus Krueger. Comerciante alemão. Preso 1937. Comunista. Deportado 1938.

Otto Krueger. Médico. Suspeito de simpatias nazistas. Vigiado. Sem provas. Arquivado.

Friedrich Krueger. Engenheiro. Filho de imigrantes. Cidadão brasileiro. Limpo.

Helmut Krueger. Professor. Integralista. Preso 1938. Condenado. Prisão 5 anos.

Martin Krueger. Operário. Sem antecedentes.

Nenhum Hans Krueger.

Venâncio voltou. Subiu três lances de escada. Entrou no gabinete de Coriolano:

— Nada. Cinco fichas com sobrenome Krueger. Nenhum Hans. Nenhum Johann. Nenhuma variação.

Coriolano bateu na mesa. Primeira demonstração de frustração.

— Nome falso. Ou codinome. Adler usaria codinomes para proteger agentes mais importantes.

— Então como encontramos? — perguntou Sebastião.

Coriolano caminhou até janela. Olhou para o Rio de Janeiro. Agulha no palheiro.

— Weissmann — disse ele, finalmente. — Voltamos a Weissmann. É única pista concreta. Investigação profunda. Total. Passado. Família. Relacionamentos. Viagens. Tudo. Se há conexão com Hans Krueger, encontraremos.

Virou-se:

— Vocês dois. Barra Mansa. Amanhã primeira hora. Interroguem Weissmann. Discretamente primeiro. Se resistir, tragam para cá. E então não será discreto.

Venâncio e Sebastião assentiram.

A caçada continuava. Hans Krueger era fantasma. Mas Henrique Weissmann era real. Visível. Vulnerável.

E através dele, encontrariam o fantasma.

Sempre encontravam.

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