Tenho o costume de fazer minhas próprias baguetes de fermentação natural. Pra dizer a verdade, é uma paixão antiga, quase terapêutica. Misturar farinha, água e sal pode parecer simples, mas a diferença está nos dois ingredientes invisíveis: amor e paciência. Sem eles, a massa nunca cresce do jeito certo; com eles, até o pão mais simples se transforma em obra-prima.
Enquanto sovava a massa outro dia, percebi algo curioso: ensinar é muito parecido com fazer pão. No essencial, também exige poucos ingredientes, mas os que importam de verdade são os invisíveis — aqueles que não se compram em supermercado nem se medem em gramas. É preciso dedicação, escuta, sensibilidade, amor e paciência.
Não, não estou romantizando a precariedade. Estou apenas constatando que bons professores conseguem maravilhas mesmo em condições adversas. Agora, imagine se tivessem recursos à altura de seu talento e compromisso.
O que me incomoda, no entanto, é a enxurrada de opiniões alheias que tenta ditar a “fórmula perfeita” para prender a atenção dos alunos. Como se dancinhas, piruetas ou outros truques fossem capazes de substituir o verdadeiro trabalho de ensinar. É como querer que o pão cresça mais rápido adicionando açúcar demais: pode até criar ilusão, mas o resultado nunca é o mesmo.
Ensinar não é entretenimento. É arte, ciência e, sobretudo, responsabilidade. Requer presença, escuta e paciência — exatamente como a panificação de fermentação natural exige tempo e dedicação para que o pão se torne aquilo que merece ser.
No final, tanto na cozinha quanto na sala de aula, a receita é simples, mas exigente: amor e paciência. E, para quem sabe respeitar esses ingredientes, o resultado é sempre gratificante.
