No último dia 7 de setembro, data em que o Brasil comemorava 203 anos de sua Independência, o Papa Leão XIV oferecia ao mundo um presente espiritual de alcance universal: elevava aos altares da Igreja o jovem Carlo Acutis, agora São Carlo Acutis, o primeiro santo millennial. Conhecido carinhosamente como o “santo de calça jeans e tênis”, Carlo tornou-se uma resposta luminosa a um tempo em que a tecnologia, embora indispensável, tantas vezes é usada como instrumento de dispersão, vício e até perdição moral.
Carlo morreu jovem, em 12 de outubro de 2006, vítima de uma leucemia fulminante. Viveu apenas 15 anos, mas deixou marcas profundas. Sua vida foi tecida de simplicidade e de uma intimidade surpreendente com Deus. Desde cedo cultivava um amor especial pela Eucaristia — a qual chamava de sua “estrada para o céu” — e não se contentava em viver essa experiência sozinho. Queria que o mundo inteiro conhecesse o mistério de Cristo presente no sacramento do altar.
Por isso, em sua linguagem própria, de menino apaixonado por computadores e por tecnologia, Carlo criou um site dedicado a catalogar todos os milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja e também a registrar aparições marianas aprovadas oficialmente. Lançou o projeto em 2004, quando tinha apenas 13 anos, e nele trabalhou até os últimos dias de vida, envolvendo sua família inteira nesse sonho evangelizador. O site foi inaugurado em 4 de outubro de 2006, festa de São Francisco de Assis — o mesmo santo que inspirou Carlo em sua busca pela pobreza evangélica e pelo amor aos mais simples.
É providencial que o primeiro milagre reconhecido por sua intercessão tenha acontecido justamente no Brasil, terra de Nossa Senhora Aparecida, Mãe da juventude e Padroeira da nação. Como que a confirmar um vínculo espiritual, Carlo, que morreu no dia 12 de outubro, partiu para o céu na mesma data em que celebramos a Rainha e Padroeira do Brasil.
O contraste entre a vida de Carlo e o mundo atual é eloquente. Em um tempo em que as redes sociais frequentemente são palco de vaidades, exibições fúteis e, não raras vezes, ambientes de degradação moral, Carlo mostrou que a internet também pode ser um púlpito moderno, um espaço de anúncio do Evangelho e de defesa da verdade. A santidade de Carlo não está em seus dotes tecnológicos, mas no uso que fez deles: colocar seus talentos e paixões a serviço de Cristo.
Não é também sem significado que tenha sido o Papa Leão XIV a canonizá-lo. Num mundo que parece “órfão de referências”, sobretudo para a juventude, a Igreja recorda com essa canonização que a santidade é possível hoje. E não apenas nos claustros ou nos altares, mas também na sala de aula, no quarto de um adolescente, nas teclas de um computador.
Carlo é, portanto, um santo do nosso tempo, alguém que mostra à juventude que não é preciso renunciar ao entusiasmo da vida para ser santo. Basta amar a Deus acima de tudo e colocar cada dom e cada ferramenta — até mesmo a internet — a serviço desse amor.
Que São Carlo Acutis interceda por nossas famílias, por nossas crianças e adolescentes, para que façam da tecnologia um meio de união com Deus e com o próximo. E que inspire os adultos a lembrar que os jovens não precisam apenas de recursos materiais, mas sobretudo de exemplos vivos de fé, pureza e compromisso com o Evangelho.
O “santo de calça jeans” agora caminha conosco, mostrando que o céu não é para os perfeitos, mas para os que deixam Deus agir em sua vida.
