Acordo todos os dias às quatro e meia da manhã. Antes das seis e meia já me exercitei, li notícias, ouvi podcasts, ri das fofocas nos grupos de WhatsApp, tomei banho, fiz a barba, preparei o café e chamei minha esposa. Enquanto ela se arruma, vou buscar pães e tiro o carro da garagem. Mas, apesar de toda essa preparação quase militar, meu dia só começa mesmo quando nos sentamos para o café juntos.
O mais curioso é que, mesmo depois de tantos anos, só me sinto verdadeiramente pronto para enfrentar o mundo quando ela me chama para o beijo antes da despedida. Esse detalhe, pequeno e repetido diariamente, é o que dá sentido a toda a engrenagem.
Talvez seja isso o segredo dos relacionamentos: pequenos rituais, gestos mínimos, olhares trocados no meio da rotina que dispensam palavras e, ainda assim, dizem tudo. É nesses detalhes que a vida íntima se fortalece.
E, convenhamos, os homens vão me entender bem: quando sua mulher escolhe dormir com aquela calcinha que você adora, aquilo é mais romântico do que qualquer soneto em redondilhas. É a maneira silenciosa de dizer: “ainda quero ser desejada por você, e ainda o desejo”. Agora, se for fio-dental… bem, aí só nos resta pedir a Deus que a proteja.
