O bullying escolar é um problema antigo e persistente. Frequentemente, quando o assunto surge, falamos apenas dos dois protagonistas: a vítima e o agressor. Mas há um terceiro personagem que tem um papel decisivo: o espectador.
Quase todos nós já estivemos nessa posição. Talvez rimos de uma piada de mau gosto contra um colega, talvez nos afastamos com medo de sermos os próximos. Estudos mostram que o espectador tem grande influência sobre a continuidade ou a interrupção do bullying. (Zequinão, 2016)
Quem é o espectador e como ele influencia
Os espectadores podem agir de maneiras muito diferentes:
- Coniventes ou reforçadores: riem, aplaudem ou compartilham humilhações. Isso fortalece o agressor e prolonga o sofrimento da vítima.
- Neutros ou silenciosos: não intervêm, permitindo que a violência continue sem contestação.
- Defensores ou aliados: intervêm, denunciam ou oferecem apoio à vítima. Esse comportamento enfraquece o agressor e protege a vítima.
O papel do espectador não se limita apenas aos alunos. Direções e orientações escolares que ignoram denúncias ou minimizam o problema também atuam como espectadores coniventes, reforçando, ainda que indiretamente, a posição de poder do agressor.
Bullying é sobre poder
O bullying não é só uma questão de comportamento individual; é uma questão de poder. O agressor busca afirmar superioridade, enquanto a vítima ocupa uma posição de vulnerabilidade. O espectador decide, muitas vezes, se essa hierarquia será mantida ou contestada. Quando os mais fracos se unem e apoiam a vítima, o poder do agressor diminui.
Por que todos precisamos agir
Além de proteger a vítima, os espectadores podem prevenir que a violência se normalize. Pesquisas indicam que ambientes escolares em que mais estudantes assumem uma postura defensora apresentam redução significativa nos casos de bullying (Zhao et al., 2023).
Pequenas ações fazem diferença:
- Denunciar episódios para professores ou orientação.
- Oferecer apoio emocional à vítima.
- Recusar participar ou compartilhar brincadeiras ofensivas.
Cada atitude conta para transformar a cultura da escola, tornando-a mais segura e acolhedora.
Conclusão
O bullying não é apenas entre agressor e vítima. É um fenômeno social que envolve todos ao redor, especialmente os espectadores. Escolher não ser conivente, assumir a responsabilidade de agir e apoiar a vítima é essencial para enfraquecer a violência e fortalecer o respeito.
Afinal, quando os mais fracos se unem, o poder dos mais fortes diminui.
Referências
- Zequinão, M. A. (2016). Associação entre ser espectador e outros papéis assumidos no bullying escolar. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, 26(3), 211-218.
- Zhao, N., Yang, S., Zhang, Q., Wang, J., Xie, W., Tan, Y., & Zhou, T. (2023). School Bullying Results in Poor Psychological Conditions: Evidence from a Survey of 95,545 Subjects.
- Nova Escola. (2010). O espectador também participa do bullying.
- Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. (2020). Espectadores também participam da dinâmica do bullying?
