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De Sonho em Sonho

Não é exagero dizer que, depois de tantos anos juntos, minha esposa e eu jamais sentimos o peso da rotina.
Talvez alguém diga que é porque ainda somos jovens — e eu sorrio, grato, embora saiba que os quarenta e tantos já se encarregaram de desmentir isso. Mesmo assim, não creio que seja juventude. Talvez sorte. Talvez escolha.

Sempre desconfiei dessa história de que o amor morre quando o cotidiano chega.
O que mata o amor, penso eu, é quando os dias passam sem que a gente se lembre de sonhar.
Porque rotina não é o problema — o problema é quando a vida deixa de ser promessa.

Não pretendo ensinar nada a ninguém. Não há fórmula para o amor, e cada casal descobre o seu modo de permanecer. O nosso, desconfio, tem a ver com sonhos.
Sonhamos juntos.
O sonho de um logo se torna o do outro, e há momentos em que já não sabemos mais quem sonhou primeiro.
E talvez seja isso o amor: a alegria de não reconhecer mais onde termina o seu desejo e começa o do outro.

Transformar sonhos em planos e planos em realidade — esse tem sido o nosso pequeno milagre.
Nem sempre dá certo, é claro. Às vezes, o plano desaba, o sonho se desmancha no ar, e precisamos começar de novo.
Mas recomeçar é, afinal, o modo mais honesto de continuar.

Vivemos assim, de sonho em sonho, de plano em plano, tropeçando e levantando, acreditando que amar é seguir acreditando.
E se há um segredo, é esse: não desistir de sonhar, mesmo quando a realidade insiste em acordar a gente cedo demais.

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