Skip to content Skip to footer

A Angústia do Escritor

Tenho que admitir: estou inquieto, quase febril.

Dentro de no máximo duas semanas receberei a devolutiva de Rios de Sangue e Ouro. A saga de Joaquim Gonçalves de Toledo, que carrego comigo como quem carrega um fantasma antigo, talvez precise ser inteira revisitada… ou talvez não. Esse “ou não” me acompanha como um sussurro carregado de esperança e ameaça.

Enquanto isso, tento concluir minha aventura com Hans Krueger. Estou nos capítulos finais, mas eles pesam como se fossem montanhas. O estranho é que, mesmo cercado por dois mundos que exigem de mim uma presença total, a espionagem de Hans e a vastidão das Minas de Joaquim, um terceiro universo se insinuou sem pedir licença.

Tudo começou com um conto. Agora, uma história que provisoriamente chamo A Sombra que Ficou cresce em mim com a teimosia das coisas que querem existir. E isso me atormenta. Porque eu sei que preciso terminar O Último Trem. Sei que devo retornar às pesquisas monumentais que alimentaram Rios de Sangue e Ouro. E, como se não bastasse, ainda há o blog que me chama, faminto, pedindo palavras. Como conciliar tudo?

A verdade é que Rios de Sangue e Ouro deixou de ser apenas criação; tornou-se labor. É o momento de aparar, limar, polir. Já O Último Trem ainda me oferece o encanto dos desfechos, mas eu sei que, ao alcançá-los, o prazer dará lugar ao mesmo trabalho minucioso.

Mas A Sombra que Ficou… ah, essa é puro prazer. A alegria primitiva da invenção. Ela chega sozinha, como água que brota entre pedras. Fora o conto inicial, nada escrevi ainda, mas às vezes interrompo tudo apenas para anotar um lampejo, uma fagulha, um nome.

Estou mergulhado no estudo do mundo que pretendo erigir, esculpindo as biografias dos personagens, suas dores, seus silêncios. E esse mundo nascente me atrai com uma força quase física.

Às vezes penso que vou enlouquecer: são muitos mundos disputando espaço dentro de mim.

Deixe um comentário