Quem acompanha meus textos percebeu, nas últimas semanas, a aparição discreta de um novo rosto no universo de Joaquim Gonçalves de Toledo: Antônio Gonçalves de Carvalho. Não, eles não compartilham laços de sangue, apenas uma coincidência, nascida de um erro de digitação que acabou produzindo um sobrenome cuja sonoridade me agradou. Às vezes, a literatura…
Nesta segunda-feira publiquei o conto da semana. É a rotina: começo as segundas com ficção, como quem acende uma vela para inaugurar o ritual da escrita. Mas, desta vez, o espanto foi maior do que o habitual. Tenho dito com frequência que meu ímpeto criativo parece disposto a me conduzir à beira da loucura, porém…
Tenho que admitir: estou inquieto, quase febril.
Dentro de no máximo duas semanas receberei a devolutiva de Rios de Sangue e Ouro. A saga de Joaquim Gonçalves de Toledo, que carrego comigo como quem carrega um fantasma antigo, talvez precise ser inteira revisitada… ou talvez não. Esse “ou não” me acompanha como um sussurro carregado…
“Se o maior pecador que você conhece não é você, você precisa se conhecer.”
A frase atribuída a C.S. Lewis sempre me pareceu ao mesmo tempo inquietante e reconfortante. Inquietante porque nos obriga a olhar para dentro sem disfarces; reconfortante porque revela algo simples: a distância que exagera os defeitos dos outros desaparece completamente quando…
Todos os dias desperto com o mesmo temor: o de não ter nada a oferecer ao mundo. O de não encontrar, nas pequenas raspas do cotidiano, a matéria frágil de que são feitas as minhas palavras.
Minhas reflexões nascem das conversas silenciosas que travo comigo mesmo — diálogos tortos, inacabados, que às vezes levo dias…
Se você me conhece, não se assuste — e, principalmente, não se ofenda — se um dia se descobrir em alguma linha que escrevi. A culpa é desse vício antigo de observar gente: seus gestos miúdos, suas manias involuntárias, seus silêncios que dizem mais que qualquer discurso. Há quem colecione moedas, selos ou receitas de…
Se há algo que me enche de um orgulho quase infantil é quando alguém lê um dos meus contos, franze o cenho e pergunta, meio desconfiado, de quem estou falando. É como se buscassem, por trás das palavras, o rosto real que teria dado origem à personagem. Para mim, essa suspeita é o melhor elogio:…
Teve uma amiga que, meio em brincadeira e meio em advertência, disse que estou com “dedos nervosos” de tanto escrever. Não deixa de ser verdade. O que meus dedos transbordam no teclado é apenas a espuma visível do que me atravessa por dentro. O volume do que escrevo é a sombra tímida do volume do…
Há uma etapa na vida de um escritor que ninguém conta. Não é o começo, cheio de entusiasmo, nem o fim, quando o livro ganha forma impressa e o autor posa sorridente ao lado de sua criatura. É o entremeio. O purgatório. O momento em que a história já não lhe pertence inteiramente, mas ainda…
