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O Que um Filho Exige

Ontem o Facebook me trouxe de volta um texto que escrevi anunciando aos amigos que quem viria ao mundo era o Carlos Eduardo. Li a primeira linha e parei. Não pela alegria. A alegria estava lá, nítida, naquelas palavras de anos atrás. Parei pelo que aquele texto não dizia.

Medo. Era medo.

Há um consenso de que educar meninos é mais fácil do que educar meninas. Nunca foi minha crença. Com uma filha, o pai pode ser o herói ideal. Aquele que ela não precisa ver cair, porque a função dele é outra: mostrar a ela como um homem deve ser. Com um filho, esse recurso não existe.

Educar um menino para que se torne um homem valoroso exige uma honestidade que praticamente nos desnuda. O pedestal não funciona aqui. Se eu me mantiver na máscara, o Cadu passará a vida tentando alcançar uma perfeição que não existe ou sentindo-se um fracasso por ser simplesmente humano.

O personagem precisa cair.

Outro dia perdi a paciência com ele por algo pequeno. Nada grave, mas desproporcional. Mais tarde, voltei ao quarto e disse que tinha errado. Que não era daquela forma que eu queria que ele aprendesse a reagir. Ele ouviu em silêncio, como quem ainda está aprendendo o peso das coisas.

Acredito em homens fortes e sensíveis. Fortes para defender os seus. Sensíveis para não machucar com a própria força aqueles que amam. Essa combinação não se ensina com palavras. Se ensina sendo visto tentar. E sendo visto errar.

Por isso o medo que senti naquele dia não era o medo errado. Era o medo de quem entende que a tarefa não é ser perfeito diante do filho; é ser verdadeiro. Que a verdadeira honra não está em nunca cair, mas em como nos levantamos quando os outros dependem de nós.

Educar um menino para ser valoroso é, ironicamente, admitir que não somos invencíveis.

O Cadu tem catorze anos. Já me viu errar. Já me ouviu pedir desculpas; a ele, à mãe dele. Não sei se estou fazendo certo. Mas sei que há algo sendo construído entre nós nesses momentos; não apesar do erro, mas por causa de como eu escolho lidar com ele.

Um filho não precisa de um herói. Precisa de um homem de verdade.

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