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Dezoito Anos Sem Flores e Muito Amor

Outro dia, por causa das coisas que escrevo sobre meu casamento, perguntaram-me se eu sou um homem romântico.
A pergunta me pegou de improviso.
A resposta saiu antes mesmo que eu pensasse:
— Acho que já fui mais.

O romantismo no casamento é um tema que sempre volta quando alguém lê o que escrevo. E foi por causa disso que veio a segunda pergunta, rápida, como quem quer me testar:
— E você costuma mandar flores pra sua esposa?
Como se isso fosse o suprassumo do romantismo.

Silêncio.
Depois confessei:
— Eu nunca mandei flores para minha esposa em dezoito anos juntos.
— Por quê?
A resposta veio brilhante, dessas que a gente só dá quando não pensa muito:
— Porque qualquer homem pode fazer isso.

Numa tacada só, eu me livrei da saia justa e ainda deixei subentendido que fazia por ela coisas que poucos homens fariam por suas esposas.
Mas, claro, não foi nada tão elaborado assim. Só uma reação instintiva para não parecer um bruto que nunca mandou flores pra mulher.
Um “antiromântico”, como diria uma certa amiga minha.

A verdade é que não me escondo atrás da velha desculpa de que “flores murcham — prefiro dar coisas que duram”. Reconheço: qualquer presente à esposa pode — e talvez devesse — ser acompanhado de uma flor.

Meu caso é que sou mesmo prático. Quando penso em presenteá-la, penso logo em algo que lhe seja útil, algo que estou acostumado a comprar.
Flores, por outro lado, são mais simbólicas que práticas.
E — isso eu aprendi com o tempo — elas não encantam as mulheres apenas por elas mesmas.
O que realmente encanta é o gesto, a lembrança de quem as oferece.
Se uma mulher recebe flores de um homem que não ama, as pétalas dizem muito pouco. Às vezes, dizem nada.
Algumas até se sentem constrangidas.

Muitos homens têm essa ilusão de que flores resolvem tudo — que bastam para conquistar, ou reconquistar, qualquer mulher.
Ledo engano.
Se ele não cultiva um jardim no coração dessa mulher, as flores que ela receber vão simbolizar… nada.
Nesse caso, um buquê de coxinhas talvez fosse mais útil.

E é por isso que acredito que o verdadeiro romantismo no casamento está nas pequenas atitudes: cuidar, ter carinho, cultivar o jardim do nosso pequeno mundo amoroso.

Pelo sim, pelo não, hoje é aniversário dela.
Acho que está na hora de tirar o atraso desses dezoito anos e meio sem flores.

1 Comentário

  • Luciane
    Posted 10 de dezembro de 2025 at 15:05

    Já que o primeiro comentário não foi, vou comentar de novo. Nestes dezoito anos vivemos uma profunda sintonia e construimos aquilo que não tem preço. Até então não tinha tido flores, mas sempre houve um amor profundo. Você sempre esteve comigo, sempre foi meu porto seguro. Sempre me apoiou, me incentivou, me encorajou . Hoje me senti uma adolescente ao ver você chegar com as flores. São as mais lindas! Te amo meu amor. Quero viver muitos e muitos anos ao seu lado.

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