Faz mais de vinte anos, mas me lembro com precisão. Um político local lançou uma campanha agressiva: cinquenta carros percorrendo a cidade com o mesmo jingle durante semanas. Era chiclete: entrava sem pedir licença e ficava. Eu me pegava cantando aquela musiquinha no chuveiro, na fila do banco, sem querer.
Mas o efeito mais revelador…
O ano era 2015. Eu estava sentado em casa, dividindo a atenção entre duas telas. Na televisão, o Congresso Nacional transmitia os tumultuados debates que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff. Mas o espetáculo real não estava ali; pulsava no vidro do meu celular. Nas redes sociais, o embate político havia adquirido uma linguagem nova.…
