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Ilustração conceitual mostrando diferentes gerações de personagens ligados por órbitas luminosas sobre um mapa antigo do Brasil colonial, simbolizando a estrutura de uma saga familiar e histórica.

O Centro Orbital

Registro o processo de criação de Rios de Sangue e Ouro aqui porque a memória falha. Não a memória dos fatos (essa nos arquivos) mas a memória das razões. Por que esta cena existe. Por que este personagem toma esta decisão que parece estranha e só faz sentido quando se conhece a história inteira, inclusive…

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Soldado brasileiro da FEB sentado sozinho em posição de guerra na Itália segurando uma carta amassada, com atmosfera fria, melancólica e silenciosa ao entardecer

A Carta do Bolso

A plataforma da estação de Barra Mansa cheirava a carvão e a despedida. Era sábado, quinze de janeiro de 1944, e o trem para o Rio de Janeiro esperava com a impaciência das máquinas: vapor vivo, rodas paradas, como um cavalo que morde o freio. Na plataforma, a aglomeração habitual de mães e noivas e…

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Cavaleiros atravessando uma estrada de terra ao amanhecer carregando documentos importantes, com neblina leve e atmosfera tensa sugerindo missão histórica no Brasil do século XIX

A Bolsa do Príncipe

O teto do corredor era alto demais para que os passos deixassem eco. Era essa a primeira coisa que Valéria havia aprendido sobre o Paço de São Cristóvão: a pedra ali absorvia os sons como absorve os segredos completamente, sem deixar rastro. Ela dobrou o corredor com a bandeja equilibrada na palma direita, a cabeça…

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Ilustração conceitual de uma figura histórica dividida entre luz e sombra, com documentos e imagens antigas ao fundo, simbolizando o conflito entre mito, memória e narrativa histórica.

O Peso do Nome

Quando o personagem histórico está suficientemente morto, podemos fazer quase tudo com ele. Inventar silêncios. Preencher lacunas. Emprestar intenções que os documentos não registraram. Ninguém cobra a dívida. Mas há personagens que não estão suficientemente mortos. Não porque ainda vivam, mas porque ainda habitam o imaginário de quem lê. Narrar esses personagens é outro tipo…

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Ilustração literária de arquivos judiciais antigos, jornais do século XIX e um homem lendo documentos sob luz baixa, simbolizando memória e justiça histórica.

O Exemplo

João Athaíde de Castro e Melo orgulhava-se do nome que carregava. Em Porto Felicidade, ele não era apenas um sobrenome: era uma referência, quase uma unidade de medida moral. Bastava pronunciá-lo para que surgissem histórias repetidas, polidas, transmitidas como certezas, sobre o homem que dera forma à cidade quando ela ainda mal passava de um…

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