Professor observando símbolos africanos antigos gravados nas paredes de pedra de um porão colonial iluminado por luz suave em antiga fazenda do Vale do Paraíba

O Andar de Baixo

Havia uma poltrona num canto da sala grande da fazenda onde o avô sempre sentava. Antônio não conseguia se lembrar de tê-lo visto em outro lugar dentro de casa. No alpendre, sim, nos pastos, no curral, na varanda de tarde, mas dentro da casa era aquela poltrona, e sob ela havia um tapete gasto de…

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Ilustração conceitual de um escritor atravessando uma corda bamba sem rede enquanto figuras históricas gigantescas surgem ao fundo, simbolizando os riscos da escrita serializada e da perda de controle narrativo.

Escrever Sem Rede

Tudo que aprendi sobre como se escreve um romance pode ser resumido assim: primeiro você pensa a história, cria os personagens, planeja os capítulos. Só então escreve. Depois de escrito, você revisa, desconstrói, reconstrói, cria novas estruturas, revisa de novo. Um leitor crítico. Depois um leitor beta. Nova revisão, novas demolições, restaurações de estruturas que…

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Soldado brasileiro da FEB sentado sozinho em posição de guerra na Itália segurando uma carta amassada, com atmosfera fria, melancólica e silenciosa ao entardecer

A Carta do Bolso

A plataforma da estação de Barra Mansa cheirava a carvão e a despedida. Era sábado, quinze de janeiro de 1944, e o trem para o Rio de Janeiro esperava com a impaciência das máquinas: vapor vivo, rodas paradas, como um cavalo que morde o freio. Na plataforma, a aglomeração habitual de mães e noivas e…

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Cavaleiros atravessando uma estrada de terra ao amanhecer carregando documentos importantes, com neblina leve e atmosfera tensa sugerindo missão histórica no Brasil do século XIX

A Bolsa do Príncipe

O teto do corredor era alto demais para que os passos deixassem eco. Era essa a primeira coisa que Valéria havia aprendido sobre o Paço de São Cristóvão: a pedra ali absorvia os sons como absorve os segredos completamente, sem deixar rastro. Ela dobrou o corredor com a bandeja equilibrada na palma direita, a cabeça…

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Ilustração conceitual de uma figura histórica dividida entre luz e sombra, com documentos e imagens antigas ao fundo, simbolizando o conflito entre mito, memória e narrativa histórica.

O Peso do Nome

Quando o personagem histórico está suficientemente morto, podemos fazer quase tudo com ele. Inventar silêncios. Preencher lacunas. Emprestar intenções que os documentos não registraram. Ninguém cobra a dívida. Mas há personagens que não estão suficientemente mortos. Não porque ainda vivam, mas porque ainda habitam o imaginário de quem lê. Narrar esses personagens é outro tipo…

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