Quando comecei a escrever o romance Rios de Sangue e Ouro, deparei-me com um dilema narrativo e moral. Decidi que Manuel Borba Gato seria o antagonista principal da história. A lógica parecia simples: ao narrar os acontecimentos a partir do ponto de vista dos emboabas, os paulistas, liderados por Borba Gato, naturalmente ocupariam o papel…
João Athaíde de Castro e Melo orgulhava-se do nome que carregava. Em Porto Felicidade, ele não era apenas um sobrenome: era uma referência, quase uma unidade de medida moral. Bastava pronunciá-lo para que surgissem histórias repetidas, polidas, transmitidas como certezas, sobre o homem que dera forma à cidade quando ela ainda mal passava de um…
