Outro dia, no meio de uma crônica, parei numa frase.
Era uma frase boa. Dizia com precisão o que eu queria dizer, encaixava no argumento, tinha o peso certo. Eu a escrevi sem hesitar, como se fosse minha. Só depois, relendo, senti que havia algo fora do lugar. Não na frase. Na autoria. Fiquei parado…
Já faz mais de quinze anos que o Conselho Nacional de Educação emitiu o parecer desaconselhando a distribuição de Caçadas de Pedrinho nas escolas públicas sem mediação crítica. Lembro-me da polarização que se seguiu. De um lado, intelectuais e ativistas que argumentavam que o Estado não deveria endossar, sem contraponto, textos que desumanizassem a criança…
Nas Confissões, há um momento em que o jovem Agostinho se muda para Milão e encontra Ambrósio. O bispo que, sem sequer tentar, acabaria por convertê-lo e batizá-lo. É uma das cenas mais silenciosas do livro. Ambrósio não debate com Agostinho, não o persuade com argumentos, não se apresenta como mestre. Simplesmente existe com uma…
Outro dia, revisando um capítulo de Rios de Sangue e Ouro, dei-me conta de que já faz mais de um ano que escrevo todos os dias. Há os finais de semana, há as férias. Mas ultimamente ando escrevendo também nos fins de semana, e suspeito que acabarei escrevendo nas férias. O hábito se instalou. Tenho…
Rios de Sangue e Ouro voltou da Leitora Crítica antes do início das férias escolares. Minha primeira leitura do parecer me inquietou. Não havia nada ali que eu pudesse simplesmente cortar sem ferir o sentido da obra; e o corte era, justamente, o que eu buscava.
Viajei, voltei à rotina, deixei o texto repousar. No…
