Quando o personagem histórico está suficientemente morto, podemos fazer quase tudo com ele. Inventar silêncios. Preencher lacunas. Emprestar intenções que os documentos não registraram. Ninguém cobra a dívida.
Mas há personagens que não estão suficientemente mortos. Não porque ainda vivam, mas porque ainda habitam o imaginário de quem lê. Narrar esses personagens é outro tipo…
Costumo dizer que O Último Trem é um projeto menor. E, enquanto digo, acredito.
É verdade. E é uma meia verdade.
O romance nasceu numa pausa. Minha Leitora Crítica precisava de tempo para analisar Rios de Sangue e Ouro, um livro que ela praticamente está me fazendo reescrever do zero. Enquanto esperava, escrevi O Último…
Voltei das férias de janeiro com uma lista. Não o tipo que se escreve e se esquece; o tipo que assombra. Três itens. E cada um deles, à sua maneira, acabou revelando algo que eu não esperava encontrar.
O primeiro item era concluir O Último Trem e enviá-lo às editoras. Concluí em janeiro. Em fevereiro,…
Escrever às vezes parece um gesto para fora. Um movimento de quem entrega algo ao mundo. Mas, para mim, nunca foi exatamente assim.
Quando escrevo, não sinto que estou lançando palavras adiante. Sinto que estou descendo. Mergulhando. E quanto mais fundo vou, menos protegido fico.
Criar personagens é uma forma de me esconder e, ao…
Rios de Sangue e Ouro voltou da Leitora Crítica antes do início das férias escolares. Minha primeira leitura do parecer me inquietou. Não havia nada ali que eu pudesse simplesmente cortar sem ferir o sentido da obra; e o corte era, justamente, o que eu buscava.
Viajei, voltei à rotina, deixei o texto repousar. No…
Às vezes me pego pensando se Deus não é, antes de tudo, um escritor.
As pistas estão espalhadas como notas de rodapé da criação. O Gênesis afirma que o mundo foi feito pela Palavra. O Evangelho de João vai além: no princípio era o Verbo e o Verbo não apenas estava com Deus, como era…
