Às vezes, relendo meus próprios diários, percebo uma estranheza silenciosa na forma como escrevo. Digo que “meu cérebro cria” com a mesma naturalidade com que diria que “meu coração bombeia sangue” ou que “meus rins filtram impurezas”. Como se o cérebro fosse apenas mais um órgão cumprindo sua função, importante, sem dúvida, mas ainda assim…
“Para mim, não há nada mais irracional que a frase: ‘Eu acredito na ciência’.”
A ciência não é um credo. É um caminho de dúvida. Como lembrava Karl Popper, o cientista não prova — ele tenta refutar. Cada teoria é apenas uma hipótese que sobrevive, por enquanto, às tentativas de demolição. Dizer “acredito na ciência”…
