Quando o personagem histórico está suficientemente morto, podemos fazer quase tudo com ele. Inventar silêncios. Preencher lacunas. Emprestar intenções que os documentos não registraram. Ninguém cobra a dívida.
Mas há personagens que não estão suficientemente mortos. Não porque ainda vivam, mas porque ainda habitam o imaginário de quem lê. Narrar esses personagens é outro tipo…
Como uma cidade decide o que merece continuar vivo e o que precisa morrer de novo.
Três tiros ecoaram no silêncio da manhã. Pop. Pop. Pop.
O Ford preto arrancou antes que alguém abrisse a janela. Subiu a ladeira em direção à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, cuspindo pedra e poeira como se…
