Todo ano é a mesma confusão. Chega o 14 de fevereiro e a internet inteira se divide entre os que celebram o Valentine’s Day e os que acusam os românticos de “colonialismo cultural”. Pois bem, vamos com calma — e com história.
O Dia dos Namorados, lá fora, nasceu de um mártir: São Valentim de…
Há quem repita, com certo ar de triunfo, que aqueles que veem o amor mais como companheirismo do que como romantismo são espíritos desiludidos, gente que perdeu o encanto e resolve arrastar os outros para o mesmo breu. Sempre achei curiosa essa pressa em decretar que maturidade seja sinônimo de cinismo. Pois eu digo que…
Você já teve aquela amizade em que um simples olhar carrega um parágrafo inteiro? Uma piscadela discreta, uma sobrancelha que sobe meio milímetro, e pronto: você e o outro já sabem exatamente o que está acontecendo, como se partilhassem um idioma secreto. Esse tipo de intimidade costuma render situações tão engraçadas quanto constrangedoras.
Pense numa…
Na semana passada escrevi sobre os pequenos gestos — essas delicadezas quase invisíveis que, sem alarde, sustentam o edifício das relações humanas. São gestos tão cotidianos que raramente lhes damos nome, mas é justamente neles que reside a arquitetura silenciosa do amor duradouro. Quanto mais penso nisso, mais percebo que a longevidade de um vínculo…
As pessoas falam de amor como quem fala do tempo: com leveza, distraídas, quase sempre de passagem. Dizem “eu te amo” como quem diz “bom dia” — sem pensar no peso da palavra, sem medir a eternidade que ela carrega. Mas o amor, se fosse só palavra, não teria mudado a história.
Outro dia, vi…
Outro dia, por causa das coisas que escrevo sobre meu casamento, perguntaram-me se eu sou um homem romântico. A pergunta me pegou de improviso. A resposta saiu antes mesmo que eu pensasse: — Acho que já fui mais.
O romantismo no casamento é um tema que sempre volta quando alguém lê o que escrevo. E…
Há contos que falam mais do que contam. São histórias que, sob o véu do cotidiano, revelam o que há de mais frágil em nós: a incapacidade de aceitar o tempo, o amor e o desejo como forças que não obedecem a ninguém. A história de João Henrique — o empresário bem-sucedido, esposo fiel e…
Não vamos usar nomes verdadeiros para não comprometer ninguém. Comecemos, então, pelo homem que tudo sofreu até se dobrar inteiramente.
João Henrique — ou Joca, como o chamavam os amigos — era, no final dos anos 1980, um empresário respeitado em Barra Mansa. Casado havia mais de vinte e cinco anos, pai de dois rapazes…
Assisti a Branca de Neve e os Sete Anões quando ainda era criança. Lembro-me da serenidade com que aceitei o final: “e viveram felizes para sempre”. Era uma promessa simples, luminosa, quase automática — como se o mundo obedecesse a uma gramática de bondade. Mas o tempo, que não perdoa as certezas, me ensinou que…
O réveillon de 2000 foi apenas um pretexto. O medo do “bug do milênio” — essa falha técnica que prometia apagar bancos, sistemas e satélites — não passava de uma metáfora involuntária para algo muito maior: o colapso dos afetos. O fim do mundo não veio pelas máquinas, mas pelos corpos. E é exatamente isso…
Era o réveillon de 2000. Enquanto quase todos brindavam a chegada do novo milênio — nas praias, sob fogos, cervejas e promessas —, dois primos, Fabrício e Rivaldo, estavam trancados no quarto, diante do computador. Tinham dezessete e dezesseis anos, e esperavam, ansiosos, o fim do mundo anunciado pelo “bug do milênio”. Entre uma risada…
Há amores que chegam como tempestades de verão: irrompem súbitos, alagam a paisagem e se dissipam com a mesma pressa com que vieram. São os amores jovens, de brilho intenso e chama breve, que fazem da vida uma sucessão de relâmpagos. Vinícius os conhecia bem, e talvez por isso tenha escrito que pedia perdão “por…
