Tinha vinte e cinco anos em 18 de abril de 2005. A televisão estava ligada no Jornal Nacional, que cobria o conclave em Roma, e por alguns segundos passou um trecho da homilia do então Cardeal Ratzinger na Missa Pro Eligendo Romano Pontifice. Não entendi tudo na hora (tive que procurar o Padre Norberto Prittwitz…
Outro dia, no meio de uma crônica, parei numa frase.
Era uma frase boa. Dizia com precisão o que eu queria dizer, encaixava no argumento, tinha o peso certo. Eu a escrevi sem hesitar, como se fosse minha. Só depois, relendo, senti que havia algo fora do lugar. Não na frase. Na autoria. Fiquei parado…
Passei por duas mortes de alunos nos quatro anos em que dirigi uma escola. Não é o tipo de coisa que se aprende a administrar. A primeira vez, fiquei parado no corredor depois que todos foram embora, olhando para a porta de uma sala que no dia seguinte estaria cheia de crianças que saberiam, de…
Nas Confissões, há um momento em que o jovem Agostinho se muda para Milão e encontra Ambrósio. O bispo que, sem sequer tentar, acabaria por convertê-lo e batizá-lo. É uma das cenas mais silenciosas do livro. Ambrósio não debate com Agostinho, não o persuade com argumentos, não se apresenta como mestre. Simplesmente existe com uma…
Tinha pouco mais de dez anos na primeira vez que li um livro sobre viagem no tempo. Já não me lembro o título. Só me lembro que era da coleção Vagalume e que o mundo, naqueles anos, cheirava à trilha sonora de De Volta para o Futuro. A imaginação de um menino não tem muito…
Perdi as contas de quantas vezes parei em Congonhas. Sempre foi assim: ponto de passagem, descanso de estrada, pausa entre o que ficou e o que ainda está por vir. Desta última vez, ia em direção a Diamantina. O carro cheio, o cansaço, e os doze profetas de Aleijadinho no alto do adro (como sempre…
