Faz mais de vinte anos, mas me lembro com precisão. Um político local lançou uma campanha agressiva: cinquenta carros percorrendo a cidade com o mesmo jingle durante semanas. Era chiclete: entrava sem pedir licença e ficava. Eu me pegava cantando aquela musiquinha no chuveiro, na fila do banco, sem querer.
Mas o efeito mais revelador…
Era por volta de 2013 e eu estava diante de uma tela. Não havia batalha, nem barricada. Havia um post de um amigo de esquerda, de quem eu discordava, criticando um movimento político que eu sequer sabia que existia. Foi assim, pela porta dos fundos da indignação alheia, que me aproximei de ideias que passariam…
O ano era 2015. Eu estava sentado em casa, dividindo a atenção entre duas telas. Na televisão, o Congresso Nacional transmitia os tumultuados debates que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff. Mas o espetáculo real não estava ali; pulsava no vidro do meu celular. Nas redes sociais, o embate político havia adquirido uma linguagem nova.…
