A memória mais antiga que tenho com a religião não é de uma ideia. É de um cheiro. O perfume pesado de velas numa tarde de domingo, e a mão da avó do meu pai segurando a minha com uma firmeza tranquila, como quem não precisa explicar onde está nem para onde vai. Eu devia…
Fui eu que recebi o pólipo em minhas mãos para levá-lo ao laboratório. Era grande demais para ser algo trivial. Senti um calafrio. Não o tipo que a temperatura provoca, mas aquele que surge quando a mente percebe algo antes de conseguir formular o que percebeu.
Os dias seguintes não trouxeram respostas imediatas. Trouxeram silêncio.…
Faz mais de dez anos que estive em Turim, durante uma rara exposição do Santo Sudário. Não é algo que acontece com frequência e menos ainda que coincida com a presença de alguém que, como eu, carregava há anos um fascínio que não sabia nomear. Descobri o que era ao entrar na Catedral de São…
Há uma pergunta que atravessa silenciosamente tanto a física quanto a teologia, ainda que raramente seja colocada com a devida crueza: se o tempo já existe como totalidade (se passado, presente e futuro coexistem numa única estrutura) o que exatamente significa ser livre?
Não cheguei a essa pergunta por um caminho acadêmico. Cheguei por uma…
Escrevi dias atrás sobre o perdão (O Perdão e o Talvez). No texto disse que ele é o ato mais humano que existe porque está intimamente ligado à esperança. Acrescentei algo que pode ter soado estranho: Deus não tem esperança.
Não desenvolvi.
Talvez porque, naquele momento, meu foco fossem as relações humanas. Mas a frase…
