Professor observando símbolos africanos antigos gravados nas paredes de pedra de um porão colonial iluminado por luz suave em antiga fazenda do Vale do Paraíba

O Andar de Baixo

Havia uma poltrona num canto da sala grande da fazenda onde o avô sempre sentava. Antônio não conseguia se lembrar de tê-lo visto em outro lugar dentro de casa. No alpendre, sim, nos pastos, no curral, na varanda de tarde, mas dentro da casa era aquela poltrona, e sob ela havia um tapete gasto de…

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Ilustração conceitual de um escritor atravessando uma corda bamba sem rede enquanto figuras históricas gigantescas surgem ao fundo, simbolizando os riscos da escrita serializada e da perda de controle narrativo.

Escrever Sem Rede

Tudo que aprendi sobre como se escreve um romance pode ser resumido assim: primeiro você pensa a história, cria os personagens, planeja os capítulos. Só então escreve. Depois de escrito, você revisa, desconstrói, reconstrói, cria novas estruturas, revisa de novo. Um leitor crítico. Depois um leitor beta. Nova revisão, novas demolições, restaurações de estruturas que…

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Prefeito elegante em baile de máscaras segurando uma taça de vinho enquanto ao fundo uma cidade sofre com enchente tóxica e contaminação do rio durante a noite

O Brinde

Francisco dos Reis acordava cedo porque os homens públicos precisam ser vistos acordando cedo. Às sete da manhã sua voz já estava no ar. Não metaforicamente, mas de fato, pela Rádio Cultura de Ataxerxes, onde mantinha um quadro semanal chamado Conversa com o Povo que durava exatamente o tempo necessário para que quem ligasse o…

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Operador industrial observando monitores em uma fábrica metalúrgica iluminada pelo brilho do zinco fundido, com atmosfera silenciosa e tecnológica sugerindo tensão entre experiência humana e inteligência artificial

O Que a Câmera Não Vê

O sinal da fábrica apitava às sete horas. Rogério ouvia aquele apito desde 1985 e o corpo já não precisava de relógio. Acordava antes, esticava os ossos, vestia a camisa com o movimento lento de quem não tem pressa porque sabe exatamente quanto tempo cada coisa leva. Da portaria ao vestiário, dois minutos. Do vestiário…

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Soldado brasileiro da FEB sentado sozinho em posição de guerra na Itália segurando uma carta amassada, com atmosfera fria, melancólica e silenciosa ao entardecer

A Carta do Bolso

A plataforma da estação de Barra Mansa cheirava a carvão e a despedida. Era sábado, quinze de janeiro de 1944, e o trem para o Rio de Janeiro esperava com a impaciência das máquinas: vapor vivo, rodas paradas, como um cavalo que morde o freio. Na plataforma, a aglomeração habitual de mães e noivas e…

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