A plataforma da estação de Barra Mansa cheirava a carvão e a despedida.
Era sábado, quinze de janeiro de 1944, e o trem para o Rio de Janeiro esperava com a impaciência das máquinas: vapor vivo, rodas paradas, como um cavalo que morde o freio. Na plataforma, a aglomeração habitual de mães e noivas e…
O teto do corredor era alto demais para que os passos deixassem eco. Era essa a primeira coisa que Valéria havia aprendido sobre o Paço de São Cristóvão: a pedra ali absorvia os sons como absorve os segredos completamente, sem deixar rastro.
Ela dobrou o corredor com a bandeja equilibrada na palma direita, a cabeça…
Barra Mansa, 16 de novembro de 1889. O telegrama chegou antes do sol.
O escrevente da estação dobrou o papel com cuidado excessivo antes de entregá-lo. O Barão de Guapy leu uma vez. Leu duas. Depois ficou parado na varanda com a xícara de café esfriando na mão, olhando para a rua ainda vazia, como…
A alforria chegou num papel dobrado em quatro, com um selo e a data de outubro de 1877. Thomas segurou o documento com as duas mãos, como quem segura algo que pode voar. Paulina ficou em pé ao lado dele, quieta. Ela não precisava ler. Via na testa do marido a contração de quem está…
