Perdi as contas de quantas vezes parei em Congonhas. Sempre foi assim: ponto de passagem, descanso de estrada, pausa entre o que ficou e o que ainda está por vir. Desta última vez, ia em direção a Diamantina. O carro cheio, o cansaço, e os doze profetas de Aleijadinho no alto do adro (como sempre…
A memória mais antiga que tenho com a religião não é de uma ideia. É de um cheiro. O perfume pesado de velas numa tarde de domingo, e a mão da avó do meu pai segurando a minha com uma firmeza tranquila, como quem não precisa explicar onde está nem para onde vai. Eu devia…
Fui eu que recebi o pólipo em minhas mãos para levá-lo ao laboratório. Era grande demais para ser algo trivial. Senti um calafrio. Não o tipo que a temperatura provoca, mas aquele que surge quando a mente percebe algo antes de conseguir formular o que percebeu.
Os dias seguintes não trouxeram respostas imediatas. Trouxeram silêncio.…
Durante muito tempo, minhas orações foram respondidas apenas pelo silêncio. Não o silêncio de quem ainda não encontrou as palavras, mas o silêncio de quem começa a suspeitar que do outro lado não há ninguém ouvindo. Ou pior: que havia, mas que agora havia partido. Essa é uma das experiências mais desorientadoras que conheço. E…
Escrevi dias atrás sobre o perdão (O Perdão e o Talvez). No texto disse que ele é o ato mais humano que existe porque está intimamente ligado à esperança. Acrescentei algo que pode ter soado estranho: Deus não tem esperança.
Não desenvolvi.
Talvez porque, naquele momento, meu foco fossem as relações humanas. Mas a frase…
