As pessoas falam de amor como quem fala do tempo: com leveza, distraídas, quase sempre de passagem. Dizem “eu te amo” como quem diz “bom dia” — sem pensar no peso da palavra, sem medir a eternidade que ela carrega. Mas o amor, se fosse só palavra, não teria mudado a história.
Outro dia, vi…
Outro dia, por causa das coisas que escrevo sobre meu casamento, perguntaram-me se eu sou um homem romântico. A pergunta me pegou de improviso. A resposta saiu antes mesmo que eu pensasse: — Acho que já fui mais.
O romantismo no casamento é um tema que sempre volta quando alguém lê o que escrevo. E…
Há contos que falam mais do que contam. São histórias que, sob o véu do cotidiano, revelam o que há de mais frágil em nós: a incapacidade de aceitar o tempo, o amor e o desejo como forças que não obedecem a ninguém. A história de João Henrique — o empresário bem-sucedido, esposo fiel e…
Não vamos usar nomes verdadeiros para não comprometer ninguém. Comecemos, então, pelo homem que tudo sofreu até se dobrar inteiramente.
João Henrique — ou Joca, como o chamavam os amigos — era, no final dos anos 1980, um empresário respeitado em Barra Mansa. Casado havia mais de vinte e cinco anos, pai de dois rapazes…
Assisti a Branca de Neve e os Sete Anões quando ainda era criança. Lembro-me da serenidade com que aceitei o final: “e viveram felizes para sempre”. Era uma promessa simples, luminosa, quase automática — como se o mundo obedecesse a uma gramática de bondade. Mas o tempo, que não perdoa as certezas, me ensinou que…
O réveillon de 2000 foi apenas um pretexto. O medo do “bug do milênio” — essa falha técnica que prometia apagar bancos, sistemas e satélites — não passava de uma metáfora involuntária para algo muito maior: o colapso dos afetos. O fim do mundo não veio pelas máquinas, mas pelos corpos. E é exatamente isso…
Era o réveillon de 2000. Enquanto quase todos brindavam a chegada do novo milênio — nas praias, sob fogos, cervejas e promessas —, dois primos, Fabrício e Rivaldo, estavam trancados no quarto, diante do computador. Tinham dezessete e dezesseis anos, e esperavam, ansiosos, o fim do mundo anunciado pelo “bug do milênio”. Entre uma risada…
Há amores que chegam como tempestades de verão: irrompem súbitos, alagam a paisagem e se dissipam com a mesma pressa com que vieram. São os amores jovens, de brilho intenso e chama breve, que fazem da vida uma sucessão de relâmpagos. Vinícius os conhecia bem, e talvez por isso tenha escrito que pedia perdão “por…
Sete horas da manhã. O sinal toca como em fábricas, mas, enquanto uns iniciam a labuta com máquinas e ferramentas de ferro, outro artífice já ergue sua oficina em silêncio. Suas ferramentas: o marcador e o apagador. Sua oficina: a sala de aula. Sua matéria-prima: jovens mentes em ebulição, ainda brutas, mas cheias de possibilidades.…
Em quinze anos de casamento, só dormi longe da minha esposa algumas poucas vezes: por motivo de saúde, quando acompanhei meu pai no hospital, ou em viagens de trabalho a Brasília. Foram ausências breves, mas suficientes para revelar uma verdade que a rotina esconde: o amor também se manifesta na falta.
É curioso como o…
Acordo todos os dias às quatro e meia da manhã. Antes das seis e meia já me exercitei, li notícias, ouvi podcasts, ri das fofocas nos grupos de WhatsApp, tomei banho, fiz a barba, preparei o café e chamei minha esposa. Enquanto ela se arruma, vou buscar pães e tiro o carro da garagem. Mas,…
No dia quatro deste mês, Luciane e eu celebramos quinze anos de casamento. Se somarmos aos mais de três anos de namoro e noivado, já são dezoito anos de uma travessia que começou tímida e, como toda boa história de amor, foi se tornando inadiável. O tempo, que para tantos é peso, para nós tem…
